Arquivo de Maio, 2007

Dividas, sorteio

Maio 16, 2007

Aqui está um texto que acho fantástico, e que segundo este site aqui, é de uma carta é verdadeira…

“Prezados Senhores Esta é a oitava carta jurídica de cobrança que recebo de Vossas Senhorias…

Sei que não estou em dia com meus pagamentos. Acontece que eu estou devendo também em outras lojas e todas esperam que eu lhes pague. Contudo, meus rendimentos mensais só permitem que eu pague duas prestações no fim de cada mês. As outras, ficam para o mês seguinte. Estou ciente de que não sou injusto, daquele tipo que prefere pagar esta ou aquela empresa em detrimento das demais.

Não!!!

Todo mês recebo meu salário, escrevo o nome dos meus credores em pequenos pedaços de papel, que enrolo e coloco dentro de uma caixinha. Depois, olhando para o outro lado, retiro dois papéis, que são os dois `sortudos’ que irão receber o meu rico dinheirinho.

Os outros, paciência. Ficam para o mês seguinte.

Afirmo aos senhores, com toda certeza, que sua empresa vem constando todos os meses da minha caixinha.

Se não os paguei ainda, é porque os senhores estão com pouca sorte.

Finalmente, lhes faço uma advertência:

Se os senhores continuarem com essa mania de me enviar cartas de cobrança ameaçadoras e insolentes, como a última que recebi, serei obrigado a excluir o nome de Vossa Senhoria dos meus sorteios mensais.”

O leão da treta

Maio 16, 2007

Hoje vamos ter um bocadinho de história, nos ultimos tempos, voltei a repetir a nacional entre Lisboa e Leiria e não consigo deixar de pensar, para além de que a estrada está muito mal conservada, e talvez por isso lembre toda uma história que a rodeia. Sim, porque ao contrário da Auto-Estrada (AE), a nacional ainda visitava as terras (visita, que ainda existe).
Não consigo deixar de ao passar pela zona da Batalha, na batalha de Aljubarrota, pensar para além da provavélmente muito bem merecida coça aos espanhois (parece que há uma teoria qualquer sobre o Alberto João Jardim e não fazermos parte de Espanha, mas fica para outro dia), na bestealidade da padeira, e no porquê do raio do nome.
É isso mesmo, uma das coisas que eu e o meu irmão gostamos de fazer quando viajamos é tentar perceber a origem dos diversos nomes das terras, por exemplo a Mealhada vem duma gata que se chamava Alhada… essa teoria por acaso não teve origem em mim, embora a defenda.
De qualquer modo, desenvolvi uma teoria sobre o nome Aljubarrota, que partilho aqui convosco. Al quer dizer O. Juba indubitávelmente refere-se a Leão. E por ultimo Rota só pode ser para classificar a coisa, da treta. Ou seja, deve querer deixar marcado no tempo que os espanhois deviam vir de Leon, mas que de leões só tinha “nome”. Como se viu pela tareia que levaram.

JHSR

Mansão

Maio 11, 2007

Já não era a primeira vez que ouvia aquele som… mas mesmo assim continuava sem saber se o deveria decifrar ou não, a verdade é que não me parecia a coisa certa.
A experiência dizia-me que áquela hora não podia ser coisa boa. Por outro lado, havia ali mais do que um ser em frenética actividade… mas o barulho começava a ser demasiado evidente, as investidas eram mais que muitas, e depois era todo um partir de coisas que se escaqueiravam no chão, pareceu-me pelo som abafado de algo pesado que era a tia Emergilda que se encontrava agora no chão.
Não resisti, algo de grave se passava ali e fui investigar, avancei devagar, tentando passar despercebido, pé ante pé, mas o ruido diminuiu, a actividade era agora menor e havia todo um zumbido intenso. Aproximo-me da porta e apenas o zumbido se mantém, embora pareça calmo… invadiu-me uma sensação de medo, receio, duvida… o meu coração acelerou, eu transpirava frio… as minhas pernas tremiam… mas eu tinha de ser forte… eu ia ser forte…
Meti a mão na maçaneta, que rodei de seguida e quando abri a porta… abelhas assassinas…

… todo eu estava dorido, tombado no chão vejo ao fundo a minha tia Emergilda, a sua moldura estava fracturada, também ela tinha sido vitima…

CD

Flor e bela

Maio 11, 2007

Pois, Florbela Espanca, que tenho pouca paciência para novelas, antigamente tinha, comia-as todas… mas acho que eram diferentes, ou isso ou por serem sempre iguais, deixaram de puxar por mim…
Pouco ou nada sei sobre esta mulher (rapariga?), apenas que tem umas saidas brilhantes e que a confundo com a Sophia de Mello Breiner (o nome deve estar mal, mas a sonoridade há de ser parecida), nota confundo-a com a outra nem sei bem porque, deve ser mesmo de saber tão pouco sobre uma como sobre a outra.

Antes que esqueça, aquilo que me levou a procurá-la, porque comecei a cantar (mentalmente) a ultima parte:

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Retirado de aqui.

O Prior de Trancoso

Maio 11, 2007

Sentença proferida em 1487 no processo contra o Prior de Trancoso

Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo

SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO

(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7)

“Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de:

  • ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos;
  • de cinco irmãs teve dezoito filhas;
  • de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas;
  • de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas;
  • de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas;
  • dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas;
  • da própria mãe teve dois filhos.

Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres”.

(agora vem o melhor)

“El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo”.

Pois, cada qual com a sua missão;)

Nabos

Maio 8, 2007

Hoje estou assim, para o vegetal, mas adiante. Para mim nabo tem dois significados, um é aquele vegetal careca, com um sabor horrivel e do qual irei expressar aqui alguns sentimentos sobre, mais à frente, o outro é a alcunha que eu dou a um animal careca :D , eu é que sou esperto, saiu engraçada, pois, é melhor explicar.
Nabo é alcunha que eu dava ao meu irmão, provavelmente a adivinhar a mona lisa que ele acabou por desenvolver, a sério parece um campo de aterragem para insectos, qual aeroporto de borboletas… O mal desta porra é que depois ganhei a alcunha de calhau ou, quando a paciência era pouca ou eu parecia não ligar, de … [qualquer coisa que não vou dizer aqui].
Quanto ao fruto, pois, os vegetais que nascem debaixo da terra não são chamados de frutos, mas apeteceu-me, acho que fica melhor, e por outro lado é fino, assim como que afrancesado uma coisa chique… olha quem diria que nabo dava um prato rico, sim que rico prato não acredito, já são muitos anos e ainda não vi nada… que é como quem diz, já vi muitos…
Não sei se se aperceberam, mas eu disse “chique”, já repararam que entre o luxo e a porcaria vai pouca diferença… lembrei-me de chiqueiro… que até é mais que chique…
Mas a sério, não percebo o porquê de insistirem em impingir nabos à malta, aquilo de facto deve ser mesmo muita bom, para valer a pena a tortura que eu faço a minha mãe passar sempre que me obriga a comer nabo e ela não ter ainda desistido… ou isso ou gosta…
Há pouco, fizeram-me recordar, entre outros, alguns dos truques que as nossas mães invent(av)am para nos tentarem fazer engolir estas coisas de que a gente não gosta, sejam nabos disfarçados de batatas ou espinafres desfeitos no meio de outra hortaliça… ri-me, são engraçadas essas criaturas… adoro a minha…

CD