Acabei de receber um postal lindissimo, com mais uma aventura dos nossos amigos Echa e Muycha. Desta vez, não vou narrar os acontecimentos, antes partilho aquilo que me chegou às mãos…
“Extraordinário mestre que durante tanto tempo nos deste abrigo, proporcionando fantásticos momentos nesse ambiente de sonho que é o teu corpo, esse santuário para quem como nós, mas basta de te dar graxa conquanto não a esqueças, o problema é que ainda te babas todo e afogas os nossos irmãos… A Muycha manda dizer que ainda não encontrou ninguém como tu… Esta malta por aqui só pensa em andar metida dentro de água, as paisagens são de facto lindissimas, mas falta-nos aquele gostinho e cheirinho especial e intenso que tu sabes tão bem preservar em ti. Mas voltando a esta malta e as águas, nós estamos bem, encontrámos uma paisagem suave, um bocado árida, na sua maioria, para o nosso gosto, mas a verdade é que nos habituámos… quem consegue ficar indiferente à tez mulata, desta terra que agora calcorreamos, às planicies que se parecem estender por quilometros…
Ainda no outro dia, tinhamos ido comprimentar uns irmãos na selva cocuruta e o percurso foi magnifico, correu muito bem a coisa, estava de facto um lindissimo dia de sol, despertámos vendo ao longe outras terras, sem aquelas capas que vos protegem não sei bem de quê, que nós nunca tivemos nada disso, e temos sido muito saudaveis e felizes. Foi quando a nossa se colocou igual, que o sol nos abriu as pesatnas de uma forma tão violenta que dissemos um para o outro «que se passa no cucuruto desta malta», e resolvemos ir investigar… aproveitávamos para ir ver os nosso irmãos lá em cima e por outro lado ficariamos mais proteidos do sol, que a selva é mais densa do que aqui de onte te escrevemos.
Saimos e começámoss por sair da nossa mata, fomos pelo lado dos montes, que atravessámos através do vale de vulcon, infelizmente este, embora rodeado por duas belas serras aconchegantes, parecia adormecido quase desde os tempos da criação. Ao fim do vale, havia uma pequena descida que acabámos por descer como um belo escorrega, eu apoiado no que aprecia uma fofa almofada, a Muycha diz que desceu comigo em cima, ops… Seguimos pelo trilho das rochas, das quais saltavamos de uma para as outras, como se estivessemos num lago com nenufares, mas perfeitamente alinhados, numa linha recta com eles lado a lado…
Quando já quase viamos a casa dos nossos irmãos, numa paisagem que parecia desaparecer de ambos os lados de forma abrupta, aquela terra estremeceu, lançou um ruido que parecia a Muycha quando lhe dá aquelas coisas… e já não chegámos a ver os nossos irmãos, aquela terra ergueu-se e começou a deslocar-se, rodámos para o lado da frente e quando lá chegámos, fomos levados num curso de água, que nos arrastou pelo lado contrário ao do percurso que tinhamos feito a caminho dos nossos irmãos…
Foi tudo muito rápido, a principio ainda ficámos presos numa pequena lagoa que se formou ali perto de onde estávamos, mas num movimento, fomos arrastados num curso de água, por entre as montanhas arrebitadas, escorremos pela pancita, ainda demos um salto num pequeno poço, pequenino e ajeitadinho, nada como o descarado e escancarado que tens ai nesse barril coberto de vegetação, e de que tanto gostamos, até por dar abrigo a irmãos nossos. Quando demos por nós, estavamos de regresso a casa.
Temos saudades tuas, diz a Muycha, que acha que não devemos ostracisar-te porque ainda podemos vir a precisar de ti, eu bem lhe digo que nós agora andamos com gente que toma banho e que por isso o mais provavel é nunca mais te vermos. Seja, passa bem.”
São uns queridos. Para aqueles que ficaram a pensar como é que tanta laracha coube num postal, a resposta é simples, com letra muito pequenina… então eles não são malta pequenina!?
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