Arquivo de Novembro, 2007

Força (ou o Serrar madeira)

Novembro 19, 2007

Corpo forte e caparrudo, com aquele musculo modelado e trabalhado pelo trabalho que puxa pelo corpo, e não um corpo criado para parecer trabalhador, nele cada musculo era justificado, tinha uma função… era um corpo de gente, de pessoa, que trabalhava, proporcionalmente e equilibradamente desenvolvido… muito… ele era mesmo grande…
A pericia com que agarrava o machado e abria umas grandes dentadas naquelas arvores, que parecendo invenciveis, acabavam por sucumbir à genialidade do seu manusear a moto-serra… parecia uma dança… havia ali um ritmo naquele serrar, acompanhado por pequenos pingos que bailavam pelas suas costas, numa suavidade que contrastava com o rude vai e vem, quase mecânico, daquele serrar… mas que…
Ele gosta do que faz, sabe bem como fazer o que faz e, sabe-lhe bem fazer o que faz. Aprecia o não ser forçado ao convivio social… Embora goste de sair e tomar o seu copinho, agora está mais calmo, encontrou alguém que o descobriu e o deixou mostrar-se, alguém que o deixou sair da concha que era aquele corpo de Rocky, e encontrou a perola que era o seu coração…
Formavam uma casal amoroso, estranho, mas em que se percebia o amor… parecia estranho, porque aos olhos de alguns, daqueles que têm medo do amor, que ainda não se aperceberam que o amor é cego, e que por isso vê muito mais… viam um homem rude, um mulher que ao seu lado parecia que desaparecia… e então reparavam nos seus olhos, os dela e os dele…
Eram olhos embriagados, naquele embriagado doce do amor, de um brilhar de quem vai chorar, mas sem lágrimas, e que se confundem com o brilhar de drogas, olhos tão transparentes como a pura água, a alegria da Vida, o amor…
Ela era recepcionista, quando se conheceram, agora tinha chegado a directora regional, com a ajuda dele, tinha descoberto a força que havia dentro de si, ao mesmo tempo que o libertava, tinha-se libertado a ela própria, compreendeu que era forte. A força não é um corpo musculado, é um coração com vontade…

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Esquilos Life III – Os esquilos azuis

Novembro 16, 2007

Sarandina corria aflita de um lado para o outro, no seu mau jeito de transportar avelãs, ou das avelãs a transportarem a ela, uma avelã tinha entupido a fonte que normalmente jorrava perto da arvore azul…
Conforme os esquilos iam tomando conhecimento, fugiam… Arvore azul era uma silva, que dava amoras que conforme iam caindo, tornavam o chão à sua volta azul, e dai o seu nome. Os esquilos aproveitavam o azul, para se tornarem mais bonitos, faziam com ele contornos dos olhos, alguns mais excentricos pintavam o cabelo, ou só partes do pelo que agora não vou aqui revelar. Mas a silva agora tomava formas de ananás, conforme a água se ia acomulando no seu interior, estava a ficar inxada, embora ficasse bonita, a silva agora levantava-se do chão e o ananás com alguns ramos a baloiçar de si… parecia um animal furioso.
Dependendo do lado que o sol lhe acertava, e com pequenos esguichos já a descobrirem o caminho da EsquiloLândia, parecia que o animal para além de furioso estava irritado, ameaçava e não deixava nenhum esquilo sossegado…
BUM, PFLAASSH, PSSFFF, PLOC, PLOC, ploc, ploc…
Tinha rebentado, num enorme jorro explodiu para ao ar e em todas as direcções, ao cair todos os esquilos ficaram manchados, via-se o contorno exterior de esquilos desenhados a azul nas arvores, nas flores, no chão, noutros esquilos… que “eram” agora azuis.

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Verdinhas

Novembro 14, 2007

Estava para aqui eu a pensar no que é que havia de inventar, e lembrei-me… não inventes, plagia… e foi ai que me lembrei de começar por plagiar as letras do alfabeto, quem sabe de forma a poder plagiar as palavras do dicionário de forma a plagiar frazes construidas com o intuito de, quem sabe, plagiar ideias que alguém de qualquer modo talvez viesse a ter… das que alguém já teve… partilhar ideias e comunicar conhecimento é plagiar?
Mas era daquelas bonecas russas que me estava a lembrar, as matrayovskas (à bocado lembrava-me de um nome que devia ser mais certo, mas isso… foi à bocado), aquelas de enciaxar, eu explico, que parece-me que já vejo alguns olhos brilhantes… não é por ai… as matrayovskas são aquelas bonecas que se encaixam umas dentro das outras, pinta ovos kinder, mas em que dentro do ovo dentro do ovo ainda tem mais uns ovos, que são bonecas (confundi-vos? a mim sim…), e por ai fora… ou por lá dentro :P
Isto hoje anda dificil, mas do mal o menos, de qualquer modo os chineses gostavam de girafas, diziam que eram espiritos encarnados… por acaso as girafas são um animal bastante esquisito, basicamente são galinhas bastante grandes, digo isto porque me lembrei do Ferrudes que na galinha gostava de comer as coxas e o pescoço, ou seja girafa, mas a girafa não tem asas… pois, por isso eu disse que a girafa era um animal bastante esquisito, ou uma galinha estranhissima…
De qualquer modo, faltam menos de 6 dias para o fim de semana, o que é capaz de ajudar, se virem o eclipse, depois digam-me alguma coisa…
Beijos à framboesa,

CD

Era uma vez…

Novembro 7, 2007

Era uma vez duas crianças, um rapazinho e uma rapariga, que andavam numa escola, mas em anos diferentes… das actividades extra-curriculares de desenvolvimento pessoal a ter acompanhamento na escola, propostas pelo novo plano pedagógico, eles tinham escolhido a escrita, para ela isso foi a continuação de algo que já fazia ainda antes de ter aprendido a escrever de forma a que os outros compreendessem.
A actividade de escrita era praticada em dois caderninhos que só eles e uns professores conheciam, eram caderninhos anónimos, pois ninguém que eles conhececem os podia ler, ou mesmo sabia da existência deles… julgavam eles, mas um dia os professores enganaram-se e deram ao rapaz o caderno dela e a ela o caderno dele…
No caderno do rapaz ela encontrou muitas tolices, descobriu um rapazinho meio tolo ou talvez apenas louco, que embora a divertisse nos disparates que ali tinha escrito, não parecia alguém muito interessante…
Ele descobriu uma rapariga interessante, decidida, que no anonimato de um caderninho privado tinha confessado as suas vidas passadas, o rapazinho pensou que tinha encontrado o manual para compreender as raparigas, quiçá a ele próprio, de qualquer modo e embora algumas das coisas parecessem dificeis de dizer, elas estavam ali colocadas com coração de uma forma que transmitia força… não eram desabafos pesarosos… estavam até escritos com graça, ou talvez apenas graciosidade…
Ela aproveitou para deixar um comentário, na forma de revisão de um professor… ele esteve dois dias a ler o caderninho dela, nem teve tempo para escrever nada…
Um dia resolveram que aqueles enganos deviam tornar-se mais habituais, ele gostava de a ler, e ela gostava de rir das palermices daquele cabeçudo…
Chegaram mesmo a confessar-se em conjunto e também a escrever palermices juntos…
Um dia conheceram-se, decidiram montar uma cabana juntos e … o resto desta estória ainda se está a escrever ;)

CD