Corpo forte e caparrudo, com aquele musculo modelado e trabalhado pelo trabalho que puxa pelo corpo, e não um corpo criado para parecer trabalhador, nele cada musculo era justificado, tinha uma função… era um corpo de gente, de pessoa, que trabalhava, proporcionalmente e equilibradamente desenvolvido… muito… ele era mesmo grande…
A pericia com que agarrava o machado e abria umas grandes dentadas naquelas arvores, que parecendo invenciveis, acabavam por sucumbir à genialidade do seu manusear a moto-serra… parecia uma dança… havia ali um ritmo naquele serrar, acompanhado por pequenos pingos que bailavam pelas suas costas, numa suavidade que contrastava com o rude vai e vem, quase mecânico, daquele serrar… mas que…
Ele gosta do que faz, sabe bem como fazer o que faz e, sabe-lhe bem fazer o que faz. Aprecia o não ser forçado ao convivio social… Embora goste de sair e tomar o seu copinho, agora está mais calmo, encontrou alguém que o descobriu e o deixou mostrar-se, alguém que o deixou sair da concha que era aquele corpo de Rocky, e encontrou a perola que era o seu coração…
Formavam uma casal amoroso, estranho, mas em que se percebia o amor… parecia estranho, porque aos olhos de alguns, daqueles que têm medo do amor, que ainda não se aperceberam que o amor é cego, e que por isso vê muito mais… viam um homem rude, um mulher que ao seu lado parecia que desaparecia… e então reparavam nos seus olhos, os dela e os dele…
Eram olhos embriagados, naquele embriagado doce do amor, de um brilhar de quem vai chorar, mas sem lágrimas, e que se confundem com o brilhar de drogas, olhos tão transparentes como a pura água, a alegria da Vida, o amor…
Ela era recepcionista, quando se conheceram, agora tinha chegado a directora regional, com a ajuda dele, tinha descoberto a força que havia dentro de si, ao mesmo tempo que o libertava, tinha-se libertado a ela própria, compreendeu que era forte. A força não é um corpo musculado, é um coração com vontade…
CD