Arquivo de Dezembro, 2007

Para lá da porta

Dezembro 20, 2007

As peças de roupa já se encontravam, descuidadosamente espalhadas a caminho do quarto, mesmo a decoração mostrava-se boquiaberta… Era intenso o cheiro que ali estava, não era nauseabundo, embora se se nos entranhasse pelos poros, a lembrar aqueles de onde tinha saido, era quente e excitante. Continuei, já tinha subido a escada até ao piso dos quartos, e áquele cheiro, juntava-se agora o som enolvidavel do prazer. De mansinho, os meus passos iam tomando aquele mesmo ritmo, era impossivel não ficar embrenhado, assomei-me à porta do quarto, sem eu perceber, mas quem ali estava apercebeu-se, e fez-me sinal para me juntar à “festa”… Exitei apenas um segundo, todo o cenário era apelativo.
Tratava-se de uma divisão, não muito grande, cama de casal duma mobilia velha, não antiga, apenas velha, parecia-me acolhedora, uma cadeira ao fundo ao lado da janela.
A figura que me convidou a entrar desaparecera, por uma porta à esquerda, entrei e vi para lá da porta dois corpos, transpirados ao lado de uma outra pequena janela, encostados numa parede de azuleijo branco, frio que aposto que escaldava. Aproximei-me, mas já não era o cerebro que comandava, algo tinha assumido o controlo, toda a envolvência, os odores, os silêncios… Levei o meu tempo a preparar-me, a desabotoar-me e a despir-me, como que a apresentar-me enquanto aproveitava para apreciar, descobrir e conhecer aqueles com quem iria “actuar” (de efectuar o acto).
Aproximei-me… toquei naqueles corpos a primeira vez, mas senti-me em casa, primeiro as minhas mãos apalparam-os sem os distinguir, primeiro num a medo sem medo, depois como participante de (f)acto, pela janela entrava uma brisa quente, enquanto os meus dedos descobriam outros locais mais quentes que o ar da rua, locais que desconhecia até áquele momento, em formas que não tinha experimentado e de que apenas me conhecia. Nunca pensei sentir estocadas assim, sem serem reflexos das minhas e ao mesmo tempo apreciar tanto esse gesto gentil, a expedição era por si só uma aventura, mas o olhar que chegava para lá da rua, atravessada pelos carros, tornava ainda mais intensas todas as “sensações” que me invadiam.
Acordei ainda arfante, latejante, com a sensação do meu sexo na mão de alguém que não a minha… senti o odor adocidado daquela a quem prometi ser fiel. Ainda dormia, perfeita, e ainda assim, passados vinte anos nunca esqueci aquela noite que se repetiu algumas vezes, sem nunca a ter vivido, sem nunca ter tido coragem de a viver.

CD, Marta e Couteiro-Mor

Vargens

Dezembro 20, 2007

Estava aqui a desfrutar de um belo nectar dos deuses, daqueles lá debaixo, isto para quem está aqui mais acima… Alentejo… e a pensar, devias tentar botar alguma coisa por aqui…
Pois cá vai disto: teoria hinfigénica sobre as vargens. Como eu pouco percebo disto, vou tentar socorrer-me de… qualquer coisa.
As vargens são como as nossas amigas, ou talvez nem tanto, mas adiante. Todos temos amigas, uns mais outros menos, mas a fruta dura pouco e nem mesmo com o frigorifico evitamos que se transforme em kunamy, não que com o tempo as coisas não vão ganhando o seu “quê” de especial.
Mas é toda a mistica do mistério que ali se “esconde”, que mais nos estimula, há que ser sincero… eu também as prefiro depois de abertas. Estou-me a recordar que os bons vinhos… (isto lembrou-me qq coisa), os bons vinhos devem deixar-se “arejar”, só se consegue provar o seu verdadeiro sabor depois, no momento da abertura não é tão bom…
É claro que não devemos deixar as coisas para muito tarde, que os vinhos para durarem não são “puros”, já tiveram mãosinhas…
A atracção daquele selo, aquela bela “embalagem” que todos queremos, mas que sabemos que só se poderá abrir uma vez… mas que tem de o ser, sob pena de amofinhar e atrofiar o interior do todo, e até porque…
De que outro modo se chegava às ervilhas!?

CD

Viagens

Dezembro 17, 2007

Sempre gostei do “Love actually“, existem momentos maravilhosos em todo o filme, sempre gostei daquela imagem inicial em que se fala das partidas e chegadas nos aeroportos… Hoje é a minha vez.
Ele partira há uma semana, iria tratar de ultimar os ultimos qualquer-coisas daquilo que ele faz para um projecto qualquer que nos manteve longe durante muito tempo. Compreendo a sua necessidade, de se realizar, sei que ele também compreende a minha… também por isso gosto dele.
O telefone toca… é ele!?… mas o ecrã diz que o voo dele está atrasado… Não consigo perceber nada, julgo ter ouvido um “amo-te”, misturado com “não tenhas medo”… estou em pulgas, a chamada vai abaixo… à minha volta há mais gente agarrada ao telefone.
Não sei se é de mim, mas algo de estranho se está a passar… as pessoas estão incomodadas, parecem tristes e confusas…
O telefone novamente, desta vez percebi perfeitamente… enganaram-se com o modulo em que ele veio. Os aviões agora são como os comboios, compostos por modulos, com cerca de 12 pessoas cada, que se arrumam nos porta-modulos-aereos, pinta contentores… a vantagem é que os modulos são compativeis com o metro e os porta-modulos-terrestres, assim pode-se iniciar a viagem de avião/autocarro/comboio quase ao pé de “casa”, que depois os modulos são encaixados/juntos nos diversos nós de interligação… a desvantagem é que como dantes se perdiam malas (que agora continua) agora perdem-se pessoas…

CD

Modernisses

Dezembro 17, 2007

Ouviu-se um estrondo terrivel, como se algo pesado caisse de grande altura, arrastando consigo algumas partes da habitação, teria o pai amandado mais algum tombo?
Sempre com os copos, era dificil de prever as coisas que por ali se iam passando. Diz a mãe aos filhos que fossem ver o que se passava, ela não tinha mais forças para se levantar a ela, o filho mais novo pousa a garrafa de cerveja e meio cambaleante, dirigi-se para a cozinha.
Afasta a cortina que separava a sala da cozinha e vê no chão um homem vestido de cor-de-rosa (que viria ele mais tarde a descobrir ser vermelho), grita para a sala e diz:
“Hei, a chaminé afinal não está obstruida, tinha aqui uma mola que tinha de ser liberta para o fumo sair…”
“Este meu filho é mesmo um génio” – grita-lhe a mãe, na sua maneira bastante estridente de falar
“E está a nevar” – continua o filho
“Há cinco semanas!” – remata irónico o irmão
“Aqui em casa começou à pouco” – novamente o filho
Agarrou no saco que o homem de pijama tinha trazido com ele, aproveita para tirar algumas cervejas do armário e colocar em cima da neve que entrara pela grande abertura, onde em tempos e em parte tinha estado o pequeno tubo da chaminé… e volta para a sala.
Todos juntos em familia, começam a inventariar e distribiur os conteudos daquele saco…
Uma garrafa de vodka, meia cheia para a mãe, um maço de tabaco meio vazio para o irmão mais velho… lá em casa haviam regras, fumar só maiorzinho, ele já tinha doze anos por isso podia…
O mais novo, com os seus oito anos, ficou com uma embalagem de chocolate… que estava completa e mente vazia.

CD

The end

Dezembro 12, 2007

Ofereci-lhe flores, trago-a para um belo jantar, mas mesmo assim parece-me que ela não está satisfeita. Digo-lhe algo do género:
“Em que pensas”
“E tu?”
“No que estarias a pensar”
“Que interessante”
“Se eu soubesse”
“Se soubesses o quê?”
“Já decidiste o que queres comer?”
“Sim, quero uma salada”
“Gostaste das flores?”
“Agradeço à tua secretária?”
“Vai ser uma salada, um do dia e duas águas, uma com gás e a outra fresca (diz ele para o empregado)”
“Quem te disse que quero água?”
“Pensei”
“Devias pensar menos… tem-se revelado um descalabro.”
“Queres o k afinal?”
“De ti ou para bebida?”
“Primeiro a bebida, que o senhor tem mais mesas para atender.”
“Quero uma frise limão.”
“Traga então apenas a água natural”
“E a frise limão.”
“Que queres afinal tu de mim?”
“Sabes, nem sei bem…”
“Amanhã tens de levar o bicho ao veterinário”
“Tás doente?”
“Sempre cheia de graça… pede para ele te ver a ti tb… e não te esqueças, é às 6″
“Sabes uma coisa? Já sei que quero de ti…”
“Diz….”
“Que pagues a minha salada e o nosso divórcio… adeus!”
“Empregado, já não precisa de trazer a frise… (diz ele virando-se para a zona do balcão)”
“Ah é verdade… as margaridas são lindas querido, mas diz à tua secretária que tenho alergia!”
“Eu sei, e ela também”

CD e Marta

Mais um devaneio idiota, provavelmente ela tinha alguma boa ideia, mas afinal como aqui hoje sou rei ;)

Esquilos Life IV

Dezembro 12, 2007

Na Esquilolândia comemora-se hoje o Dia do Fundador, mas eu explico, que voçes não são esquilos…
A Esquilolândia não tinha fundo, até ao dia em que o Nobre de Cadeirão arranjou forma de os esquilos poderem colocar as patas no chão… acham!? Pois, estava a mangar convosco ;)
A comemoração de hoje na terra dos esquilos, é talvez apenas porque os sacaninhas só sabem andar assim, a comemorar coisas… ora comemoram o dia do acontecimento como, na vespera se não houver nada, comemoram o dia da vespera do acontecimento e, depois do dia do acontecimento, o pós acontecimento. Nada de confundir com drogas, que embora os esquilos sejam animais com olhos marados, comportamento retorcido e pareçam que têm o dibo no corpo, isso é tudo natural.
Mas não, também não era uma comemoração qualquer…
Havia mais do que esquilos por ali, viam-se também alguns pinguins e dois chatos, com oculos escuros e fatos de banhos amarelos à anos 20, com florezinhas encarnadas e vermelhas.
Esta não era uma comemoração qualquer, alguma coisa se passava, mas os esquilos não lembravam o quê, os pinguins nunca souberam e os chatos, como de costume estavam completamente enganados.
Quando o Nobre de Cadeirão subiu ao palanque, e começou a falar, ficou evidente o que se comemorava… era o aniversário do lançamento do jornal lá da terra…
Os esquilos dançavam, pulavam, davam cambalhotas e piruetas, os pinguins também, mas sem as cambalhotas e piruetas, que compensavam com o serem mais organizados nas coreografias… os dois chatos… sacanas, encostaram-se a mim e estão-me a fazer coçegas…

CD

Hoje este espaço faz um ano, obrigado aos que por aqui passaram, espero não ter ofendido ninguém neste ano que passou, nunca foi intenção, apenas dizer algumas asneiras e divertir-me, se possivel divertindo quem me lê, ou apenas fazer-vos pensar (para que eu não tenha de o fazer, ou talvez apenas porque não o fiz…). Um obrigado especial aos que foram por aqui deixando comentários (eu sei, eu sei… mas eu lei-os a todos).
Aos mais assiduos, eu sei que voçes sabem que eu sei quem voçes são, um abraço especial…
À menina Marta, espero que me vás dando tempo, para eu te ir conseguindo dizer tudo aquilo que me vou esquecendo de dizer no momento certo e digo mais tarde, que me deixes agradecer o fazeres-me feliz… desde que descobriste este espaço.

Obrigado,
Carlos Desagrado