Ao passar pelo janela reparei na sua cara, que não me era desconhecida, mesmo nada, reconheceria-a em qualquer lugar, mas desta vez pareceu-me que também ele reparou em mim de forma diferente, havia naquele olhar um charme diferente. Despertou em mim algo que eu julgava estar adormecido… controlado.
Durante o dia fui reparando que ele me acompanhava, vi-o quando dava um retoque final ao meu cabelo no carro, espero que não tenha ficado com a ideia de que me estava a arranjar para ele… que também estava… e também ele se arranjava… seria para mim?
Gostei de me sentir assim “acompanhado”, em momento algum tomei a sua proximidade como perseguição, porque o pensaria!? Ao café da tarde quando o vi no janela da casa de banho, pisquei-lhe o olho e disse-lhe “és lindo”, juro que me pareceu o maroto ter dito “tu também não estás nada mau”, como que a desafiar-me…
Quando na porta do elevador, ao fim do dia de trabalho, o vejo… senti que algo tinha crescido entre nós, vi nele a vontade que eu sentia, a necessidade reprimida desde que ainda adolescente a minha mãe me tinha surpreendido assim no meu quarto. Mas não mais iria negar os meus instintos, não mais iria negar as minhas necessidades…
Ainda no autocarro e já as nossas mãos se confundiam, senti-as percorrerem-me de forma até muito pouco discreta o meu peito, com um beliscão malandro que me apanhou desprevenido e me deixou logo ali com a certeza de que aquele “reencontro” seria tudo menos um calmo despertar. Reparei no olhar invejoso que o motorista me deitou pelo janela, enquanto o autocarro se afastava… pois, ele provavelmente ainda estaria a começar… eu era um dos que (já) estavam de volta.
As escada pareciam interminaveis, mas esperar pelo elevador com a vizinha do 3º andar e o “conter” lá dentro enquanto subiamos… fui pela escada, senti a mão quente perto do meu sexo, mas a correria não dava jeitos, e lá nos aguentámos… ao meter a chave na porta, reparei que uma mão estava mesmo dentro das minhas calças… fechei a porta com um pontapé.
As minhas costas roçavam-se por todas as superficies da casa, as roupas espalhavam-se pelo chão, o meu sexo e o dele… era um tesão… e era meu.
Quando de manhã ao fazer a barba o vejo… no mesmo ritual, sabia que aquilo teria de se repetir em breve… era bom, e a mãe não me surpreenderia ali, aquela era a minha casa a minha vida, o que eu queria e com quem eu sempre sei que quis.
CD
Nota: para os mais distraidos, mudem agora janela por espelho