O verdadeiro

Não era para contar esta estória, porque é daquelas coisas que tinha prometido a mim mesmo que iria tentar esquecer.
Num post anterior, comecei por descrever um local em que homens e mulheres não viviam juntos, no entanto houve algumas coisas que não revelei. A ideia não foi nunca trair a vossa confiança, mas é que naquilo que vos vou contar provavelmente voçes não vão acreditar. Azar que foi assim que se passou, eu é que estava lá e portanto eu é que sei.
A parte de homens e mulheres se encontrarem apenas uma vez por ano estava correcta. Não para a fertilização, mas para a entrega das crianças macho aos homens. Quanto ao ritual de fertilização, naturalmente não poderia nunca acontecer da forma que eu disse. Ou voçes acham que alguém no seu perfeito juizo, autorizaria uma rebaldaria daquelas?
O ritual era uma coisa mais ou menos sagrada, mas em que apenas participavam o representante dos homens, o representante das mulheres e a mulher a ser fertilizada. Voçes estaram a pensar, mas então quem é que plantava a semente? Não falta um macho reprodutor?
Não, o Rey decidiu tomar essa responsabilidade, essa ingrata e dificil tarefa de inseminar todas as mulheres, a seu cargo. Eu sou daqueles que acredita, que determinadas coisas, para serem bem feitas, não se delegam, temos de ser nós a fazer. Por outro lado, os homens não se davam com as mulheres e as mulheres não se davam com os homens. Pelo que aquele era considerada uma tarefa que ninguém desejava, um sacrificio a ser levado a cabo pelos mais reles membros da tribo, ou um acto de do mais puro heroismo a ser executado pelas cupulas mais nobres da sociedade – pelo Rey.
Era um trabalho extenuante, devo mesmo dizer que em alguns momentos cheguei a pensar se seria capaz de cumprir com tão hardua missão, todos (quase todos) os dias “atendia” uma mulher. Sim, apenas uma por dia, que como sou adepto da perfeição e para garantir a qualidade do trabalho, repetia algumas vezes o processo, o que acabava por ocupar grande parte dos dias, quando não estava a tratar da coisa estava a pensar/planear a coisa (era um trabalho dificil, mas alguém tinha de o fazer). Mas a verdade, é que as mulheres viam em mim alguém que as intendia, que conseguia tornar aquele momento até bastante agradavel, quantas começaram a gemer de dor, para logo (sob o olhar desconfiado da sua lider) mudarem o som dos seus queixumes. Elas viam-me como igual, quase como que mulher também. Mas tinha de ser, eu tinha a responsabilidade de não deixar ficar mal os homens, toda a humanidade (naquele lugar) contava comigo. Só eu era capaz de levar aquela missão a bom porto.
E como poderia ficar eu indiferente à insistencia daqueles olhos, aquelas gatinhas que pareciam viver para aquele momento. Neste aspecto sempre fui um fraco, nunca fui capaz de negar assistência a ninguém, principalmente a mulheres.
Bom, começo a ficar emocionado e não quero mais pensar naqueles tempos. Tempos de exaustão, que não fosse o meu porte atlético, qual Adonis, e a minha excelente forma fisica, que nenhum homem conseguiria aguentar.
Hoje em dia estou diferente, deixei de ter um metro e noventa, ganhei alguma barriga em troca de algum (muito) cabelo e já não vivo naquele local. Mas outras coisas mantêm-se.
(Nota: os motivos de ter deixado aquele lugar ainda não estou preparado para contar)

Z

5 Respostas to “O verdadeiro”

  1. Fontez Says:

    Vamos lá então interpretar isso de forma serena…!
    Já tiveste 1m90 de altura, já estiveste rodeado de gaijas fertilizantes…! certo?
    Bem, não precisas de contar porque deixaste tal lugar, compreende-se…quando alguém fica chupado eheheh
    Uma boa questão é não saber os motivos do abandono, mas as consequÊncias. Saudades tens do lugar?
    O rey conhecias-o bem?
    Mas rey de Rey ou rey de Rei e /ou King…!
    Acreditas tu que para “serem bem feitas, não se delegam, temos de ser nós a fazer”….? Humm…
    Outra dúvida estavas num celeiro de gatas, na mansão da Playboy, ou gatinhas no sentido de gaijas boas?
    És fino, usas uma linguagem que só teu entendes (e o tal Rey)…mas deixas uma curiosidade extensa para malta….!
    Mas o conteudo em termos genéricos entende-se…algo a ver com fraqueza perante mulheres meigas com gana de fertilizarem…!
    Anseio pela continuação…não so que não estás preparado para contar, mas do que estás (ainda) preparado para contar.
    inte.

  2. fontez Says:

    Se recebias uma mulher por dia, pudera o trabalho teria de ser perfeito.
    Demorava quanto, diz lá…?
    Porque n atendias mais de uma mulher?
    Mas a tribo era comandada por quem?
    As mulheres eram escravas?
    As respostas carecem de paz…!
    Espero por elas…, para delinear o meu próximo comentario!

  3. cdesag Says:

    Vou-te dar uma pista para saberes quem é o Rey: “apenas participavam o representante dos homens, a representante das mulheres e a mulher a ser fertilizada” + “foi assim que se passou, eu é que estava lá e portanto eu é que sei”.
    Só dava mesmo para atender uma mulher por dia, não te esqueças que ainda tinha de prestar contas à lider/representante das gajas. Isto nestes altos cargos de chefia é sempre assim.

  4. fontez Says:

    Já ficamos esclarecidos…agora falta saber se havia protecções da tromba. eheh

  5. cdesag Says:

    Onde é que viste os elefantes? Se calhar estavam de oculos escuros e por isso eu não os vi passar.
    É o que eu digo, não se pode ter uma coisa boa, que aparecem logo as melgas e os elefantes a ver se levam também um pedaço.

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