Pancada na tola

Há algum tempo, comecei aqui a estória de alguém que tinha “aterrado” numa ilha deserta. Não é importante que se lembrem ou conheçam, já que eu também não me vou dar ao trabalho de voltar a ler o que escrevi, para já, e muito menos estou precocupado em que a estória faça sentido, que tenha continuidade. Até porque não o deve ter.
Quem pensar um pouco, que continuidade há no ter chegado a uma ilha deserta, sem saber de onde nem como?
Mas recordo, que já tinha dado a volta ao “território” e ficado com a noção de que o mesmo era uma ilha, voltei ao sitio de onde tinha partido, sempre com mar do mesmo lado, enquanto dava a volta, que é como quem diz, mar por todos os lados.
Não sei quanto tempo passou, depois de aqui ter chegado, sei que já me habituei à companhia, ou à falta dela. Os dias são passados mais ou menos todos da mesma maneira. Acordo “perdido”, neste sitio a que já me acostumei.
Com fome, mas sem fome, o meu organismo pede que o alimente, mas não consigo justificar essa necessidade. Isto do querer viver, sozinho não faz sentido. Que piada tem tudo o que aqui posso descobrir, se não o posso partilhar a ninguém, o que importa o que aprender se não o posso passar a ninguém. Já aqui estou há demasiados dias para ter esperança. Apetece-me desistir, sei que devo, mas não o sinto. Existe sempre esta esperança estupida…
… Hoje não me apetece esta estória… e porque não aquela versão em que cai do ceu, sei lá, expulsa de um avião devido a saber de mais sobre uma qualquer “companhia” mafiosa, uma bela mulher. Não porque fosse a mais bela mulher do mundo, quer dizer, naquele “mundo” era a mais bela, e também a unica, e também não havia ovelhas informaram-me agora.
E a vida volta a fazer sentido, mesmo que perdidos ali, ou talvez por isso.
Afinal não, a unica coisa que caiu do céu foi um coco, que lhe deu tal pancada na tola, que lhe proporcionou este estado de “graça” (esta dá pelo menos duas), e mais qualquer coisa com uma caixa de atum, que agora não me lembro. Mas parece que ele gostou e, agora duas a tres vezes por semana, tenta apanhar com cocos na tola.

CD

2 Respostas to “Pancada na tola”

  1. marta Says:

    “Acordo “perdido”, neste sitio a que já me acostumei.” Esta eu percebo lindamente.
    “Isto do querer viver, sozinho não faz sentido.” Aqui não concordo, eu gosto…
    Não sabes onde caiem os tais cocos? Esse estado de “graça” parece interessante… excluindo a lata de atum…

  2. Fontez Says:

    o dilema de querermos viver sozinho e não suportarmos viver sozinhos é complexo.

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