Grande confusão

– Vamos recomeçar, do inicio, e faça o favor de contar tudo melhor, que não estamos a perceber nada – disse o sargento Romalho Cardiga
Depois de indicar quem era, Bonifácio Batroga, o que fazia, chouffer de praça há já 26 anos… chegámos à parte “dificil” de acreditar, até para mim me custa a acreditar na forma como tudo aconteceu…
Foi de manhã, naquele dia de inverno, estava já com a cabeça a caminho de casa, depois de fazer o turno da noite, para a minha Isaurinda, e preparava o corpo para ir lá ter… quando me entra no carro uma fulana, maltrapilha, e completamente encharcada… com as roupas, poucas, coladas ao corpo… começou por tirar um casaquito de lã que lhe cobria os ombros enquanto eu lhe pergunto para onde desejava ir… calhava bem, ficava ali para a rua de baixo, perto de minha casa, que eu queria mesmo era ir para casa e refastelar-me no quentinho…
E lá vamos nós, passamos a alameda, eu entretanto tinha ligado o ar quente e não tinha voltado a olhar para trás, até que sinto algo a cair-me nas costas do banco… espreito pelo espelho e a rapariga tinha desaparecido… nesta altura já estavamos nós perto do bairro 21, por coincidência na rua onde moro, mas na altura nem tinha reparado nisso…
Parei o carro imediatamente, e fui ver o que se passava lá atrás… então não é que a rapariga estava toda nua… literalmente espalhada pelo chão do taxi…
Era muito bonita, e tinha um corpinho… o chefe que também a viu, admita lá… aquilo era material do bom… não que inveje a galinha da vizinha… a minha Isaurinda é o meu orgulhi, foi rainha do baile lá da escola… e matrafona nas festas populares… aiai…
Tentei coloca-la de pé… mas o chefe compreenda… ela era grande, e eu… eu… digamos que não estava muito à vontade com tanta coisa nas mãos, e como tenho o probema de coluna, uso um esqueleto, e não me estava a conseguir dobrar… pelo que desaperto o cinto… e foi nesse momento que ouço um grito e sinto aquela dor…
Quando me recompuz, estava em cima daquele corpo, cheio de sangue, o meu sangue, com as minhas calças caidas…
A minha Isaurinda tinha visto o taxi e desceu, pois julgou que eu tinha trazido alguma coisa grande que estaria a tirar do banco de trás, mas quando chegou lá abaixo e me viu a desapertar as calças e se apercebeu da mulher nua dentro do carro… arrochou-me com um calhau na marmita que me deixou a sangrar das ideias… e foi assim que tudo aconteceu.

CD

3 Respostas to “Grande confusão”

  1. Marta Says:

    ficaste a sangrar tanto das ideias que até esqueceste o nome do teu “orgulhi”. Acontece-te mt? esqueceres-te?

    (adorei)

  2. cdesag Says:

    Felizmente não, a parte do ficar a sangrar das ideias, pois… quanto ao esquecimente… acho que não…

  3. marta Says:

    ok… basta então q nunca te deixe a sangrar das ideias e para isso…
    basta q não tires as calças a qq um na rua;)

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