Archive for Dezembro, 2006

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31 \31\+01:00 Dezembro \31\+01:00 2006

Estrondo terrivel… cabum… splash… vupt… fzzzzzzz….
Que se passa? Que sol é este? Estou encadeado, não vejo nada… adormeço.
Acordo, não sei quanto tempo passou, sinto-me enjoado, parece que o chão se mexe, ora sou empurrado para a esquerda, ora para a direita, esquerda… vou vomitar, blarghh.
Tenho de me levantar, tento-me apoiar no braço direito, caio em água, falta-me o ar, estou-me a afogar, começo a mexer pernas e braços, mas afinal para que lado fica o ar? Calma, para que lado sobem as bolhas? Então é por aqui que vou.
Novamente o sol, aquela luz forte. Onde estou? Dentro de água, mas a que propósito? Levanto-me, afinal tinha pé…
Uma praia, não oiço nada, será por ter os ouvidos cheios de água ou nada se passa mesmo? Olho em volta, areia até perder de vista e dum lado água, do outro palmeiras.
Sinto-me todo dorido, mas não noto feridas.
Na água, apenas um pedaço de metal, com um pedaço de vidro no meio, parece uma janela, mas donde veio esta parede?
Vou dar uma volta, a ver se encontro alguém, vou por este lado, com o sol por trás que já não aguento tanta luz.
Não fosse estar com fome e tu não estares aqui, isto até podia ser engraçado. Água limpinha, de um verde azulado, a areia é quente, mas um quente bom, não excessivo, agradavel.
Começo a ficar cansado, já devo estar a andar há mais de 5 horas, o sol já me deu a volta e está á minha frente novamente. Ao menos agora aperece mais calmo…
Vejo na água, aquela janela, a que deixei há uma data de tempo atrás na água, quando resolvi ir à procura de alguém. Pelo menos parece ser a mesma, e só aqui voltei a ver pegadas… as minhas.
Estou lixado, penso e caio para o lado, não aguento a emoção.

CD

Simplexidade

31 \31\+01:00 Dezembro \31\+01:00 2006

Existe nas coisas complexas uma simplicidade que me fascina. Ok, não estou a falar dos problemas mas da explicação para os problemas. O que é claro vai dar aos problemas, mas é a solução que me fascina.
Se uma coisa é explicada em poucas palavras, então ou nós sabemos o suficiente para entendermos o problema com tão pouca informação, e então embora simples a explicação obrigou a saber imensas coisas. Ou a coisa é nos explicada com uma data de informação e então é simples de entender.
Em qualquer dos casos, naturalmente considero que a informação é a correcta. Mas a ideia é que no primeiro caso, da explicação simples, a explicação só é/pode ser simples porque nos podemos socorrer de outro conhecimento que, embora não explicito na solução do problema, nós sabemos. No segundo caso é a ideia da explicação complexa, com todos os detalhes e por isso simples de entender.
Claro que em qualquer das situações, exige-se um minimo de conhecimentos… sobre o que quer que seja.
Quero aqui dizer só mais uma coisa, gosto das explicações complexas com termos simples. Qualquer pessoa que não (me) seja capaz de explicar um conceito com termos acessiveis, é porque não o conhece bem. Ou seja, gosto que me expliquem as coisas como se eu fosse uma criança, mas note-se, eu disse como se eu fosse uma criança, não disse como se fosse estupido. É triste, mas infelizmente às vezes é facil confundir.
Em pequeno, quando alguém não entendia uma coisa, diziamos “queres que te faça um desenho?” e é verdade, às vezes a forma mais simples de perceber algo é através da sua visualização. E eu adoro quando me fazem bonecos.

CD

Droga

31 \31\+01:00 Dezembro \31\+01:00 2006

Hoje acordei mal disposto. Não sei se por ser ultimo dia do ano, mas a verdade é que me sinto como se tivesse sido roubado, despejado de qualquer coisa importante.
Não sei quem tu és, mas sinto a tua falta. Não sei onde estás, mas era ai que me apetece estar. Não sei a que cheiras, mas estou viciado nesse aroma. Não sei o que dizes, mas preciso de ouvir a tua voz. Não sei no que pensas, mas gostava que fosse em mim.
Normalmente não ligo a datas, uma data é um ponto fixo, e eu gosto de flexibilidade no sentido em que preciso de espaço. Não gosto de coisas impostas, prefiro ser convencido ou apenas distraido.
E depois apareceste tu, ou será este pensamento de ti? De tempos a tempos consegues captar todos os neurónios do meu cerebro e, com arrogância, retiras tudo o mais do meu pensamento, ficando só tu. Mas eu não te conheço, afinal em que é que penso? O que é isto que me queima as noites e os dias?
Sempre me considerei um gajo independente, já vivi mais tempo só que qualquer outra pessoa que conheça, e sempre me considerei um gajo (moderadamente) feliz. Esta dependência de ti, está-me a fazer sentir mal. Quero a liberdade, por favor trata-me mal, deixa-me fartar de ti. Quero uma overdose desse efeito drogático que tu produzes em mim, a ver se ganho juizo, a ver se ganho a minha vida de volta.

Agora saiu-me mais esta: “Não gosto de finais, por isso fujo dos inicios.”, tenho de ver se vou de férias, ando com esta cabeça toda lixada… quero lá saber se até tiro 19’s, ando a dar em louco!

CD

Despeidocupado

30 \30\+01:00 Dezembro \30\+01:00 2006

Depois do post de merda, que foi o anterior, acho que este vem mesmo a propósito, quanto mais não seja por uma questão de coerência e ajudar manter o nivel (do post anterior).
Hoje vou falar de peidos, bufas, traques, pantufadas, sulfatanços, arrotos que perderam o elevador, gazes. Chamem-lhes o que quiserem, o resultado é sempre o mesmo, uma aragem mais ou menos ruidosa e, também mais ou menos, mal cheirosa.
Eu sempre dei peidos, e desde já garanto que mais de 95% não foram provocados nem intencionais. Ok, muitos podiam ter sido silenciados (no sentido de mortos), mas à custa de quê? À custa de quantos prejuizos para a saude?
Acerca dos peidos não existem as duvidas como existem acerca das galinhas e dos ovos, pinta aquela treta de quem nasceu primeiro… foi o coelhino, que só não apareceu mais cedo, porque tinha ido com o Pai Natal ao circo. Ou seja, desde que o Homem existe, que passados 15 minutos existe o peido (mais coisa menos coisa, que à data do primeiro Homem, os mecanismos de medição temporal eram pouco precisos).
O peido deve ter sido o primeiro sinal de democracia, como se a natureza quisesse que essa fosse a ordem natural, é para toda a gente, como as opiniões, cada um tem peidos e quem quiser dá-los, dá-os.
E por aqui se justifica o cheiro e o ruido, quando percebidos, que quando passam de fininho e ninguém dá por eles, não há justificações a dar a não ser pela oportunidade perdida. O barulho, é apenas o organismo a expressar o que lhe vai por dentro, para os puristas não há nada a fazer, é controlado pelo coração e não pelo cerebro. Já o cheiro, convém aqui lembrar como é que os cães se apresentam uns aos outros, exactamente, pelo cheiro.
Juntando dois mais dois, aquilo que eu concluo é que o um peido é como o coração a dizer: “Oi… Sim, tu ai… Quero-te conhecer melhor… E deixa-me que te me apresente…”.
E por isso, como diria o meu pai, vivam a vida com “descontração e estupidez natural” (esta é daquelas máximas, sobre as quais ainda iremos falar). Porque lembrem-se: “Peido-me, logo existo”.

CD

Culto

30 \30\+01:00 Dezembro \30\+01:00 2006

Quem me conhece, sabe que eu sou um gajo com manias de organização. Talvez não pessoal, mas na forma como faço as coisas, preciso de que as coisas tenham alguma organização para fazerem sentido.
Sou apologista do hábito, tento estacionar sempre no mesmo sitio, acordo quase sempre há mesma hora, uso as mesmas marcas e produtos de sempre, aquelas que me foram prestando provas de qualidade ao longo dos tempos. E nos meus pc’s, tenho uma estrutura mais ou menos bem definida, uma pasta a que chamo rede, onde coloco quase tudo o que é pessoal e dentro dessa pasta, outras desde musica a software passando por uma muito especial, a pasta “culto” (quem me conhece, deve ter esboçado um sorriso).
É nessa pasta que costumo colocar aquelas coisas, que as mulheres também vêm e gostam, a que nomalmente, e estava a tentar mas não consigo arranjar outra forma de me lhe referir, se chama pornografia. Sim, no meu computador existe sempre um espaço com essas coisas. Agora, vamos lá por ordem nisto, não vejo qualquer coisa e de ainda menos gosto. Como acerca de tudo na vida, fui ao longo do tempo criando um espirito critico sobre o assunto.
Mas não estamos aqui para falar sobre os meus gostos pessoais sobre esta matéria. Aquilo que me levou a escrever estas linhas, foi apenas e só a palavra culto, e porquê se adequa tão bem ao tema.
É verdade, como grande parte dos meus amigos, partilho o interesse por estas coisas, talvez antes mais, mas mesmo agora quase igual. Que hei de fazer, é daquelas coisas que me despertam curiosidade, e eu sempre fui e espero ser um gajo curioso.
E escusam de vir com tretas de que acham aquilo repugnante e que não acreditam em metade das estórias que lá se contam/fazem. Mas muito menos, com balelas de que nunca viram nada disso. Acho muito dificil, tão dificil como o serem capazes de explicar do que não gostaram se afinal nada viram.
Ok, não estou a ser capaz de explicar o porquê de achar que a palavra culto serve tão bem para identificar o culto. Talvez seja o facto de ser algo a que todos os dias prestamos a nossa atenção (homenagem?), que está sempre presente no nosso pensamento, e pelo qual acabamos por reger as nossas acções. Sim, o “culto” a que me refiro não é apenas uma palavra ou um nome que se dá a uma pasta no computador, são também aquelas recordações ou imaginações (ivaginações?) que guardamos na nossa cabeça e nos acompanham naqueles momentos chatos em que desejavamos estar nutro lugar (filas do MacDonalds, idas à oficina, compras de roupa, etc).

CD

Alentejo

29 \29\+01:00 Dezembro \29\+01:00 2006

A pedido de algumas familias, vou tentar ressuscitar a estória do Echa e da Muycha, os dois chatos que moravam por aquelas bordas e que supostamente morreram quando raparam o arvoredo em que viviam.
Mas não, afinal não morreram, agarrados a uma arvore mais alta e num movimento decidido, atravessaram pelo ar toda aquela zona onde tinham vivido e encontravam-se agora do outro lado do mundo (do seu mundo).
Era um lugar estranho, ali onde eles aterraram, era um lugar vazio, onde apenas existia erva rasteira da mesma cor daquela terra que eles agora pisavam e uma imensidão a perder de vista, a fazer lembrar um deserto, mas um deserto que embora seco, não era quente, como se aquele lugar tivesse sido deixado para trás.
Eles tinham de explorar aquele lugar, Echa achou que deviam ir para norte e, naturalmente Muycha decidiu que iriam para sul. Afinal ficava mais perto de onde tinham vivido felizes, não fazia muito tempo. Enquanto caminhavam, foram reparando no meio envolvente, era como percorrer um monte alentejano, daqueles quase lisinhos, com declives sem pressa a irem morrer ao longe. E dum outro lado, parecia haver outro monte igualzinho àquele, apenas separado por um vale, que o Echa durante algum tempo ainda se divertiu a atravessar de um lado para o outro. Ora pisando um monte, depois o outro monte… ora montando aqui, depois montando ali… e ele achava aquilo divertido, pois quando aterrava daqueles saltinhos, os seu pés enterravam com jeitinho para logo depois voltarem à altura do solo.
Foi ai que as coisas começaram a ficar estranhas, o declive acentuou-se e a terra deixou de ser clarinha. Ali onde eles estavam, era dum rosa bonito, mas eles não tiveram muito mais tempo para contemplar aquele lugar. Num tremor sonoro, foram amandados pelo ar numa baforada quente, com um aroma que só o Echa e a Muycha conseguiriam apreciar… Estavam novamente sem casa os nossos amigos, será que voltaremos a saber deles?

A


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